carta do jornalista André Risek
Meu caro Alberto Dualib,
Já faz tempo que temos um relacionamento para lá de cordial. Como sei que o senhor me respeita, aproveito estas linhas para lhe dar uma sugestão. Largue o osso, seu Alberto. Entregue o cargo, vá para casa descansar, cuidar de seu último bisneto (são-paulino, por sinal, mas sei que o senhor tem esperanças...). Porque a sua gestão está transformando o Corinthians numa espécie de Tabajara Futebol Clube. Não há outra forma de tratar a administração alvinegra que não seja na base da comédia. Ou tragédia. O senhor é o presidente que mais títulos conquistou na história alvinegra. Mas seu ego fez com que enterrasse o Corinthians num mar de lama. O maior culpado de tudo o que acontece hoje no Parque São Jorge é o seu ego, prezado Dualib. O senhor se lembra de 1997? Sim, 10 anos atrás, a primeira parceria de sua gestão. O Corinthians fazia um acordo com o extinto Banco Excel. Trazia uma turma de empresários e economistas notáveis para gerenciar o futebol: Ibrahim Eris, Emir Capez, Eduardo Rocha Azevedo e Luiz Rosemberg. O grupo contratou Túlio, Donizete & cia. Montou uma máquina. Mas aí o seu ego estragou tudo, seu Alberto. Vou refrescar a sua memória. O grupo de notáveis mandava no futebol. era badalado na mídia como uma nova era no futebol brasileiro. E num belo dia surgiu a notícia de que o Corinthians estava trazendo Antônio Carlos. Me lembro como se fosse hoje. Eu era repórter do Jornal da Tarde e vi o Rosemberg garantir para toda a imprensa: “O Célio Silva (zagueirão que o clube tinha na época...) é muito melhor que o Antônio Carlos! Não estamos trazendo este jogador, não, vocês têm a nossa palavra. Todas as contratações passam pela gente“. E no dia seguinte lá estava o Antônio Carlos sendo apresentado... O senhor, ciumento, fez tudo sozinho. Passou a perna em seus parceiros, não admitia ver alguém sendo glorificado por algo em “seu“ Corinthians. O clube vinha de um ano horroroso em 1996, tempo de um time com Mark Williams, Alcindo e Alex Rossi. É sempre assim com o senhor: “estamos no fundo do poço, vamos arranjar alguém que nos salve que depois eu dou um pé na bunda deles“. Não foi a mesma coisa com a Hicks Muse e, agora, com a MSI?
Foi por causa de ciúmes, mesquinharia mesmo, que o senhor repete essas atitudes com a MSI. Não engolia ver o Kia queridinho da torcida e começou a tentar jogá-lo para escanteio. Vendeu o clube para ele (por uma mixaria, diga-se de passagem), mas se recusou a entregar a mercadoria. O senhor foi tentar passar a perna justo no Kia, seu Alberto! O homem é 200 vezes mais esperto que o senhor. Agora que a MSI lhe deixou com pires na mão (merecido, merecido...), não há dinheiro nem para segurar o Christian! O Christian! O Parque São Jorge virou uma espécie de Hiroshima. E o pior: só tende a piorar. Vêm aí as multas da receita federal pelas transações que, o Citadini lhe avisou, eram irregulares (Tevez, Mascherano, Carlos Alberto). Serão quase 50 milhões de dólares em multa. Como o senhor vai fazer para pagar? Porque seu clube está dando calote até no empréstimo do Magrão... Os salários estão atrasados e, pelo que sei, o Kia não está nem aí. Desde maio que não pisa no Brasil. O senhor não se cansa de ver seu nome envolvido em tantos escândalos? É a agência de sua neta tirando milhões do clube (eu teria vergonha...), é conselheiro amigo sendo remunerado por vias tortas, tudo isso exposto diariamente nos jornais. Vá para casa, seu Alberto, deixa que alguém tente reconstruir o que o senhor destruiu. Como pôde confiar em Renato Duprat para ser o seu homem forte do futebol? Além de não ser corintiano (o que não seria nenhum problema se estivéssemos falando de um profissional...), é um notório péssimo administrador. Vá para casa, seu Alberto. O senhor hoje é o ídolo de palmeirenses, são-paulinos e santistas. Sei que está sofrendo. E por isso lhe dou este conselho. É de coração.
Nenhum comentário:
Postar um comentário